Sem alma ou futebol

por prosadebola em 08/02/2012 - Categoria(s): Taça Libertadores

 

Felipe, prestes a errar. Ele só errou.

“É… Agora complicou”, pensa o torcedor vascaíno. Mais que complicou, eu penso. Complicado seria perder com garra, com velocidade, com alegria e jogando um futebol decente. Foi muito pior do que isso. Além da derrota, a torcida cruz-maltina teve que engolir uma atuação terrível. Esse era o jogo da confiança. Era a partida da reestreia após mais de uma década fora da Taça Libertadores da América. Foi um vexame.

Mesmo com o ótimo desempenho da equipe na Copa Sul-Americana do ano passado, a torcida tem um pé atrás. Palmeiras, Aurora, Universitário e Universidade. O Vasco perdeu todas, isso mesmo, todas as partidas que disputou fora de São Januário. Sofreu  4 gols do Universitário, 6 do Aurora e 4 da LaU, dentro e fora do ‘caldeirão’.  A zaga, apesar dos bons atores, não forma um grande filme. As exibições defensivas contra times andinos e platinos costumam ser muito fracas. Pouca regularidade, resumiria assim. Afobação.

A Vitória do Nacional foi a vitória da inteligência. Marcou muito forte o meio-campo dos veteranos Felipe e Juninho. Diego Souza foi bem, mas os laterais, que tiveram espaço, tremeram. Thiago Feltri mostrou não ter condição técnica de jogar numa equipe de Libertadores, apesar do segundo tempo de muito esforço. Max mostrou não ter condições nem de dominar uma bola.

Fora isso, não tem desculpa. O Nacional venceu… Mas não por ser melhor que o time da colina, pode até ser, mas o que contou foi a cancha. A experiência de um Clube que não fica fora da competição desde 1996 (ano em que o Botafogo disputou-a pela última vez). Um clube que sabe jogar um torneio como a Libertadores. As ausências de Rômulo e Fágner foram muito sentidas, mas a total ineficácia de Feltri, Costa, Bastos, Nilton, Pernambucano, Alecsandro e Felipe por pouco não resultou numa goleada.

A inexperiência internacional de um elenco pede, sem sombra de dúvidas, um treinador com currículo internacional. Não é o caso de Borges. Nada contra o aprendiz de treinador, mas acho que ele errou bastante. Se você vai jogar com dois volantes de ofício, escolha pelo menos um que saiba acertar um passe de 4 metros. Eduardo Costa e Nilton não compõem uma dupla de volantes aceitável. Mas como não havia mais opções, o melhor era descartar Felipe e colocar Bernardo desde o começo, como Meia Central. Escalar Alecsandro depois de 2011 é um erro infantil. Tenório é o titular e deve ser o camisa 9. Se vier com papinho que o equatoriano joga mais pelas pontas, ok. Mas contrata outro, nada de Alecsandro. Pode mandar embora.

No segundo tempo, o time uruguaio perdeu a chance de fazer 3×0, inacreditavelmente. O gol aberto.

Naquela hora, pensei até que os Deuses do futebol pudessem estar do nosso lado. Quando Alecsandro diminuiu, me perguntei, “será que os Deuses vão aprontar mesmo essa surpresa feliz para o torcedor vascaíno”?

Eles não tiveram coragem de realizar tamanha e absurda interferência.

O Nacional deve seguir para a segunda fase.
O Vasco vai ter que suar sangue para vencer fora de casa.
Não pela tabela,
mas pelo futebol que nos apresentou
e pela falta de confiança que chegou junto com ele.

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